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segunda-feira, 7 de junho de 2021

CRISTÃO NÃO SÓ DE NOME

“Aquele que me ama, ama o próximo”


Certo dia Santa Catarina de Sena disse ao Senhor: “Meu Deus, quereis que eu ame ao meu próximo; mas eu não posso amar senão a Vós.” Respondeu-lhe o nosso Salvador: “Minha filha, aquele que me ama, ama todas as coisas que eu amo.” — Com efeito, quem ama alguma pessoa, ama também os parentes, os servos, as imagens e até as vestes da pessoa amada, pela razão que esta ama tais coisas. E porque é que nós devemos amar ao próximo? Porque aqueles a quem amamos são objecto da benevolência de Deus.

Por isso escreve São João que é mentiroso o que diz que ama a Deus e odeia a seu irmão (1 Jo. 4, 20). Ao contrário, diz Jesus Cristo que aceitará como feita a si próprio a caridade de que usarmos para com o mais pequenino de seus irmãos, que tais são os nossos próximos (Mt. 25, 40). — Examina-te aqui, se tens até agora tido na devida estima o preceito tão importante da caridade, e toma a resolução de seres mais exacto para o futuro. Lembra-te que da observância deste preceito depende o seres cristão não só de nome, mas também de facto: — “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo. 13, 35). (Santo Afonso de Ligório: Meditações).

Na imagem:
Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

PORQUE TE QUEIXAS, IRMÃO?

Se administras os sacramentos, ó irmão, medita no que fazes


Queixa-se de que, ao entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e empregou para fixar a atenção?

 

Se administras os sacramentos, ó irmão, medita no que fazes; se celebras a missa, medita no que ofereces; se salmodias no coro, medita a quem e no que falas; se diriges as almas, medita no sangue que as lavou e, assim, tudo o que é vosso se faça na caridade. (S. Carlos Borromeu: Antologia)

Na imagem:
São Carlos Borromeu, Doutor da Igreja.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

DEUS MOSTRA A SUA GRANDEZA INFINITA

Tudo concorre para o bem de cada alma


Assim se abaixando, Deus mostra sua grandeza infinita. Assim como o sol ilumina os cedros e cada florzinha, como se somente ela existisse sobre a terra, da mesma forma Deus cuida pessoalmente de cada alma, como se não existisse outra além dela. E assim como na natureza todas as estações estão de tal modo organizadas que no momento certo se abre até a mais humilde margarida, da mesma forma tudo concorre para o bem de cada alma. (Santa Teresinha do Menino Jesus: “Historia de uma alma”; Manuscrito A).

sábado, 22 de maio de 2021

Ó MARIA, ROGAI A JESUS POR MIM

 Vós não fostes senão caridade


Ah, meu Redentor, quão longe estou de me parecer convosco! Vós não fostes senão caridade para com os vossos perseguidores, e eu rancoroso e odiento para com o meu próximo! Vós rogastes com tanto amor pelos que Vos crucificaram, e eu só penso em tomar vingança de quem me desagradou! Perdoai-me, ó meu Jesus, não quero mais ser o que fui. Proponho firmemente imitar-Vos de hoje em diante, custe o que custar; proponho amar a quem me ofende e fazer-lhe bem. Dai-me a graça de Vos ser fiel. — Ó Maria, Mãe de Deus, rogai a Jesus por mim; dai-me uma parte de vosso amor para com o próximo; a vossa protecção é a minha esperança. (IV 178). (Santo Afonso de Ligório: Meditações).

sexta-feira, 21 de maio de 2021

SEMENTE DA GRAÇA

A graça de Deus não deve ser abafada


A graça de Deus é uma semente que não deve ser abafada, mas que também não deve ser excessivamente exposta. É necessário alimentá-la no coração e não a mostrar excessivamente aos olhos dos homens.

Há dois tipos de graças aparentemente pequenas, das quais pode depender a nossa perfeição e a nossa salvação. Uma é a luz que nos revela uma verdade: devemos acolhê-la cuidadosamente e cuidar de que não se extinga por nossa culpa; devemos utilizá-la como regra em todas as nossas acções, ver aonde nos leva, etc. Outra é o movimento que nos leva a fazer determinada acção virtuosa numa ou noutra ocasião; devemos ser fiéis a estes movimentos, porque tal fidelidade é, por vezes, o núcleo da nossa felicidade.

Se ouvirmos a voz de Deus quando nos inspira uma mortificação em determinadas circunstâncias, veremos grandes frutos de santidade em nós; pelo contrário, o desprezo desta pequena graça poderia ter consequências funestas, como acontece aos favoritos caídos em desgraça por serem complacentes em coisas pequenas. (São Cláudio de La Colombière: Diário espiritual).

quinta-feira, 20 de maio de 2021

AS ALMAS NO PURGATÓRIO

A causa de estarem no purgatório


A causa de estarem no purgatório, essas almas a vêem uma só vez, quando passam desta vida. Já não podem vê-la mais, pois, caso contrário, haveria uma posse. Portanto, estando essas almas em caridade e, não podendo desviar-se dela com nenhum defeito actual, não podem querer nem desejar senão o puro querer da pura caridade. Estando no fogo do purgatório, estão dentro da disposição divina, a qual é caridade pura, e não podem desviar-se o mínimo em nenhuma outra coisa, porque estão também igualmente impossibilitadas de pecar como de merecer. (Santa Catarina de Génova: Tratado do Purgatório. Introdução, 1).

A TRIPLA MISERICÓRDIA

A misericórdia do Pai é boa, ampla e preciosa


«Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso».

Assim como a misericórdia do Pai celeste por ti é tripla, assim deve ser a tua misericórdia com o teu próximo. A misericórdia do Pai é boa, ampla e preciosa: «A misericórdia no tempo da tribulação é propícia, como nuvem de chuva no tempo da seca» (Sir 35,24). No tempo da prova, quando o espírito se entristece por causa dos seus pecados, Deus infunde a chuva da graça, que é refrigério para a alma e remissão dos pecados. A misericórdia é ampla porque se estende às boas obras ao longo dos tempos. E é preciosa nas alegrias da vida eterna. «Vou recordar as misericórdias do Senhor, os seus feitos gloriosos, tudo quanto fez por nós o Senhor, toda a sua bondade para com o povo de Israel, tudo o que fez por eles na sua benignidade, e com a sua imensa misericórdia» (Is 63,7). A tua misericórdia pelo teu próximo também deve ter estas três qualidades: se ele pecou contra ti, perdoa-lhe; se está afastado do caminho da verdade, instrui-o; se tem sede, sacia-o, pois diz Salomão: «Os teus pecados serão purificados pela fé e a misericórdia» (cf. Prov 15,27, LXX). «Aquele que converte um pecador do seu erro salvará da morte a sua alma e obterá o perdão de muitos pecados», recorda São Tiago (Tg 5,20); e diz o salmo: «feliz daquele que cuida do pobre» (Sl 40,2) (Santo António de Lisboa: Sermão para o quarto domingo depois de Pentecostes)

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ANTÓNIO DE LISBOA
Sacerdote, Santo e Doutor da Igreja
(1195-1231)

segunda-feira, 17 de maio de 2021

IMITAÇÃO DE JESUS CRISTO

Da imitação de Cristo e desprezo de todas as vaidades do mundo


1. Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

2. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o Espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo, é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.

3. Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecl 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.

4. Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.

5. Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecl 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus. (Tomás de Kempis: “Imitação de Jesus Cristo”; cap. I; 1-5)

IMAGEM
TOMÁS DE KEMPIS
Monge, Escritor místico
(1380-1471)