«Passou a noite a orar a Deus»

O Senhor reza,
não com o fim de implorar favores para Si, mas com o fim de os obter para mim.
Ainda que o Pai tenha posto todas as coisas à disposição do Filho, no entanto o
Filho, para realizar plenamente a Sua condição de homem, visto que é o nosso
advogado, acha por bem implorar o favor do Pai para nós. Não façais ouvidos
insidiosos, figurando-vos que é por fraqueza que Cristo pede, para obter o que
não pode realizar, Ele que é o autor de todo o poder. Como Mestre na
obediência, Cristo forma-nos pelo Seu exemplo aos preceitos da virtude: «Temos
junto do Pai um advogado, diz Ele» (1 Jo 2, 1). Se é advogado, deve intervir
pelos meus pecados. Por conseguinte, não é por fraqueza mas sim por bondade,
que Cristo implora. Quereis saber até que ponto Ele pode fazer tudo o que quer?
Ele é ao mesmo tempo advogado e juiz: num reside um ofício de compaixão, no
outro a insígnia do poder. «Passou a noite a orar a Deus». Cristo dá-vos um
exemplo, traça-vos um modelo para imitardes.
O que é
necessário fazer pela vossa salvação quando, por vós, Cristo passa a noite em
oração? Que vos cabe fazer quando quereis empreender uma obra de piedade, se
Cristo, no momento de enviar os Seus Apóstolos, orou e orou sozinho? Em parte
nenhuma, se não estou em erro, encontramos que Ele tenha rezado com os
Apóstolos. Por toda a parte, Cristo implora sozinho. É que o grande desígnio de
Deus não pode ser tomado por desejos humanos, e ninguém pode entrar no pensamento
íntimo de Cristo. Aliás, quereis saber como é bom para mim e não para Cristo,
que Ele tenha orado? «Chamou os Seus discípulos e escolheu doze de entre eles»
para os enviar, como semeadores da fé, a propagar por todo o mundo o auxílio e
a salvação dos homens. (Santo Ambrósio de Milão: Comentário sobre S. Lucas 6).
Na imagem:
Santo Ambrósio de Milão, Padre e Doutor da Igreja
Sem comentários:
Enviar um comentário